Emenda à (prática) totalidade

Como estamos construindo Corunha? Diria que bem mal.

Claro que pouco tem a dizer umha voz particular (para mais inri, nom sendo urbanista) quando por cima está o poder político e por cima deste o económico. Menos ainda quando o modelo vigente é referendado polas urnas repetidamente. Ao longo das décadas decenas de miles de corunhesas e corunheses têm amparado e sido partícipes do continuum pacovazquista, fundado no status quo contemporâneo por el mesmo e sucedido por Javier Losada, Carlos Negreira e, atualmente, Inés Rey (a quem J. R. alcumou "Doña Licencias Urbanísticas"). Um fio político, responsável principal do traçado urbanístico do município, que é quase a inversa dos únicos dous alcaides que lembro com estima, Domingos Merino e Xulio Ferreiro.



"DESAFECTACIÓN ¡XA! ELVIÑA NON SE VENDE"

A vizinhança da paróquia elvinhense leva anos manifestando-se, exigindo que o concelho solucione o seu problema. Nom o problema deles senom o que lhes causárom. O PSOE -alvo das suas críticas junto co PP e a MA- formulou o urbanismo na Corunha passando por riba de núcleos tradicionais, pisando casas. Um concelheiro de urbanismo chegou a dizer-lhes expressamente que se esquecessem de habitar em casas dentro dos límites municipais, por muito que fossem as herdadas de seus pais (Custa imaginar que axs proprietárixs das custosíssimas moradas da Cidade Jardim se lhes dixesse o mesmo, verdade? As persoas ricas sim podem morar em chalets.) Após anos de luita infrutuosa houvo quem, em desesperaçom, pediu que polo menos se lhe garantisse poder morar na sua casa em quanto vivisse (i. e. ao morrer, os/as descendentes saberiam-se desprovistos de qualquer direito)... mas nem isso houvo vontade para certificar. Como consequência existem hoje casas fantasma que já nem constam no Catastro, e estám xs moradorxs num limbo legal, sem saber o que pode ser deles amanhã. Eu nom sei se se podia salvar e integrar Sam Roque de Fora, mas sei que Sam Vicente de Elvinha pode-se e deve-se. Que nunca se devia ter guindado a casa de Álvaro Corral, que aquilo foi umha injúria como constatárom os bombeiros da Corunha ao se negarem a ser partícipes da expulsom da família da sua legítima vivenda. O sociólogo Héctor Tejón recapitulava o contexto daquela ignomínia:

O lugar de Elviña-Galán, noutrora un lugar productivo e cheo de vida, foi soterrado dende os anos 90 baixo a falsa necesidade dun espacio burocrático-financieiro de oficinas e, ao pouco, reconvertido en vivendas de protección oficial, nun turbio xogo capitalista que dende as institucións que pagamos todos e todas favoreceu os intereses privados por riba do interese social.

Este é justo o urbanismo contra o que qualquer persoa decente penso que devia estar.

O seguinte capítulo desta negra história será a hostil expansom do hospital, que levará por diante umha vintena de casas e fincas particulares. Como dizia F. M.:

Xa hai que ter mestría para o deseño urbanístico: arrasar coas propiedades de máis de 30 veciños de Eirís e non tocarlle un só recanto ao parking.


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Sumando, até setenta lugares da Corunha têm moradas ameaçadas de eliminaçom de se executar o plano geral de ordenaçom urbana.

Emenda à (prática) totalidade

Este tipo de abusos produze-se num período de muitos anos no qual se têm sucedido arbitrariedades vergonhentas (algumhas ofensivas no simbólico, outras custárom milhões de euros ao erário público) como o Conde de Fenosa [~60M€], o caso Someso [~50M€], a requalificaçom dos terrenos de Marineda City de que disque se beneficiou a família Vázquez, a farmácia de Dormideiras, a destruiçom da residência Adelaida Muro, o caso escandaloso da sede da ONCE coa casa do próprio Vázquez, o intento de venda da Solaina...



QUANDO PENSÁMOS QUE ALGO PODIA CAMBIAR

Antes do ataque furibundo dos mansos voceiros da oligarquia (a histéria perante "cientos de licencias paralizadas, más de 4 millones en obras anuladas") e mais da esquerda canalha que celebrou a perda da alcaidia por parte da Marea Atlántica como vitória própria, houvo um momento em que tivemos a ousadia de imaginar umha Corunha diferente.

Emenda à (prática) totalidade

Em 2019 perguntei: "Área metropolitana, comboio de proximidade, proteçom para o interesse público da ribeira. Que mais lhe pedimos ao novo governo da Corunha?"

I. F. respondeu Que amanhem a avenida da Vedra e eu Fai umha falta do demo. Pouco prática em tramos até para os veículos, dado que colapsa; inumana para peões e bicicletas; feia como um pecado.

A. B. retrucou é titularidade de Fomento entre a ponte da Pasaxe e a gasolineira á altura da estación de tren. Esa é con diferenza a parte máis fácil, a autoestrada que quería humanizar a Marea con aquel proxecto que meteu no caixón Ana Pastor. O problema é que a humanización se subtituíu por unha ampliación a 5 carrís por sentido. Ampliación que ía pagar Audasa por un chanchullo dos seus, a cambio de aumentar aínda máis as peaxes, cousa que xa fixo sen comezar as obras. A situación actual é un roubo. A reforma fallida que propoñía a Marea era esta, con bulevar nas beiras:

Emenda à (prática) totalidade

Iso foi substituído polo vixente, un simple proxecto de ampliación de carrís convertendo a avenida nunha autoestrada monstruosa de 11 carrís no tramo máis ancho:


Emenda à (prática) totalidade

Que atentado...

A soluçom -bem se sabe já desde o século passado- nom é precisamente potenciar o veículo particular como meio. Mas assim continuamos. Por exemplo pedia eu o 4/11/19 que alguém me explicasse como um acidente na Vedra -por muito que com sete veículos implicados- podia causar retenções de duas horas, que chegárom até Lamastelhe, o Burgo, o Carvalho... falamos de kilómetros e kilómetros de distância. É demencial.

A propósito dessa loucura em 2007 já desenhara eu isto:

Emenda à (prática) totalidade

Mauro Entrialgo tamém o explicou numha vinheta sua:

Emenda à (prática) totalidade

E como sempre, hai quem confunde o cu coas témporas mas felizmente tamém quem retrata a questom com retranca:

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A AUTOESTRADIZAÇOM DA CORUNHA

A cidade é algo mais que esse núcleo urbano, é o município e o seu contorno. Neste último todas as medidas estruturais tomadas parecem sugerir que se aspira a sarilhos criminais ao estilo de Los Ángeles.

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Além do brutal destroço paisagístico -quase irremediável a séculos vista- e do invasivo que resulta para as áreas afetadas na sua forma preexiste, estám a catástrofe de Génova (2018) ou o incidente na A-6 entre o Castro e Pedrafita (2022) como avisos da problemática do mantimento requerido por determinadas estruturas. A menor escala essa noçom de caducidade lembra-no-la tamém o próprio acesso ao CHUAC entre o s. XX e o XXI.

Sublinhando como se acertou ao eliminar o viaduto da Avenida de Fisterra coa de Nelhe (mandando a Marea Atlántica) e o passo baixo desta última coa de Arteijo (PSOE), Elena Sarmiento advertiu em 2022 sobre a proposta de un viaducto desde Eirís con pilares colosales, grandiosas contenciones y una glorieta elevada sobre A Pasaxe que provoca un fuerte impacto ambiental y paisajístico en la zona.

Que falta de sentido comum pode ter alguém para propor algo tam terrorífico como isto?

Emenda à (prática) totalidade

Emenda à (prática) totalidade

Toni García, professor de arquitetura, explicava em 2015:

En EEUU, en Europa... os scalextric están a derrubarse e aquí acabamos de construír un.

Promover esse tipo viário e ademais nom apostar estrategicamente polo transporte coletivo é como celebrar que Corunha, apesar de estar continuamente batida polo vento marítimo, seja das cidades do estado com pior qualidade do ar, mesmo superando em dias maus a umha urbe sobredimensionada como Madri.

Isto tem delito.

Emenda à (prática) totalidade

Emenda à (prática) totalidade

Alguns dos representantes mais decentes em Maria Pita nom têm falado quase da hipotética ou futura 4ª rolda, nom só porque parte do seu traçado pode causar problemas específicos, senom porque em qualquer caso som partidários de priorizar, no relativo às infraestruturas de transporte, a humanizaçom das grandes vias, caso da Vedra e do Birloque, e mais o ferrocarril, tanto o de proximidade como o de mercadorias. Umha postura acorde manifestava Defensa do Trem na Corunha quando o governo de Rey evidenciou a sua aposta pola 4ª rolda:

O Concello da Coruña vai cara o pasado. Máis vías para os coches, máis espazo, máis ruido e contaminación e máis muros de cemento rodeando a cidade. Nada de apostar por alternativas viables como o tren de cercanías. Que erro tan grande.

Na altura havia anos que eu renunciara ao veículo próprio em favor dum uso continuado do transporte público e do deslocamento a pé. Achei entom que o PSOE ia no sentido contrário, exatamente: mais transporte privado, aposta nula por revolucionar o transporte coletivo e entrar no século XXI (Só ver a desproporcionada superfície assignada para parking de automóveis nos planos da cidade das TIC...!)

Total, mais dinheiro público em contratos enormes para as construtoras, mais cemento. Nesse mesmo sentido comentava I. R. que se metiam os impostos en formigón e asfalto ás portas dunha mudanza inevitable do modelo de mobilidade, o que representava umha desastrosa decisión. Esse desenho de cidade é o que espetou um fosso brutal entre o Birloque e a 2ª Fase de Elvinha e o que condenou a tradicional paróquia das Vinhas ao enclaustramento mais obsceno.

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Isto, combinado co vaziado da cidade (máis de 19.000 vivendas baleiras segundo o IGE) em favor da dispersom populacional pola comarca, ajudada pola especulaçom urbanística urbana como di G. M. R., é umha combinaçom explosiva. A concelheira María García alertou sobre como voltam atualmente a mandar os intereses da especulación inmobiliaria, como a luz verde da Xunta á construción en Percebeiras, determinados desenvolvementos na Ría do Burgo á beira con Culleredo, e a proposta de reordenación dos peiraos interiores con moito espazo para a vivenda en San Diego e Petroleiro.

Voltando ao nível da bicicleta, é fantástico arranjarem currunchos e trechos de zonas superpovoadas no cerne urbano para que o automóvel dê espaço, preferência e passo às persoas, pois devolve ao piso da rua a escala humana. Presenta-se-nos assim umha imagem amável, mais idílica quanto mais próxima das zonas nobles (i. e. quanto mais históricas, céntricas, peonis, comerciais...), que nom tem correspondência no que passa para fora (em menor medida nos bairros e nula na periferia). Por pouco que eu goste de Juan Flórez -para mim das ruas mais feias da cidade- é zona rica cuja área de influência dispom de zonas humanizadas como os contornos e praças de Lugo e de Vigo. Isso é fácil de fazer (e justificado, dado que a sua densidade populacional, como a da mais modesta Agra do Orçám, supera a de Londres). Mais meritório seria apostar porque num bairro popular como Labanhou o último pedaço de terra apta se convertesse em parque, em vez de no símbolo do retorno ao urbanismo pacovazquista.

A OMS recomenda 15 metros quadrados de zona verde por habitante, e na Corunha som apenas 10.


Emenda à (prática) totalidade
Até quando resistirám as poucas árvores, as últimas em pé, lembrete da Vedra da nossa infância, que estava flanqueada por dous carreiros verdes?

O concelho tem um longo curso contemporáneo de dendrofobia que com certeza nom melhora o problema da qualidade do ar. Assim, nom é surpressa que a cidade seja a décima de 900 cidades europeias com maior mortalidade atribuível à falta de áreas verdes e em segundo lugar no conjunto estatal, só por baixo de Xixón.

Emenda à (prática) totalidade
Corunha, entre as dez cidades europeias com maior mortalidade por falta de espaços verdes

Entom paradoxalmente arredor dessa estampa de passeio céntrico livre de carros construi-se umha coroa de aço e cemento que multiplica e dispara a escala contrária, a antihumana. Um lindo decorado primeiro, umha maquinária gargantuesca atrás del. Esta última que, dito seja tudo, ainda serviria em todo caso numha era passada caraterizada polo excesso energético e a infinidade de veículos particulares, mas que se impom re-conceber perante a fim dos combustíveis fósseis. Nom estamos já no século XX.

No verão de 2021 alguém me dixo que as derradeiras áreas realmente naturais e com vegetaçom do minúsculo município da Corunha coincidiam quase exatamente com quanto se vai urbanizar proximamente. Só pensar em que se vaia perder a Gramela e todo o seu contorno, dali para Pena Moa, co que isso podia ser, é deprimente.

Emenda à (prática) totalidade

Que se passou nos últimos sessenta anos? Ganhou ou perdeu Corunha zona verde dentro do recinto urbano? Nom me refiro ao contorno a monte, ainda nom invadido pola urbe por agora. Pondo por caso, ficou consolidado o parque de Bens, mas está bastante apartado. Vejamos dentro da cidade, por exemplo esta fraçom de Santa Margarida para o porto:

Emenda à (prática) totalidade

Emenda à (prática) totalidade

Após mais de meio século as escassas e últimas áreas naturais que lhe restam ao concelho apaga-as a própria câmara municipal, numha intervençom unidirecional, sem possibilidade de volta atrás. No Monte das Moas resiste ainda entre 2021 e 2022 umha área de 57.000 metros quadrados com hortas, árvores e mato, cuja extinçom conta co amparo dos governos municipal e autonómico: umha construçom massiva co cemento como valor supremo.

Parece que pouco podemos fazer, visto o desdém para as queixas vizinhais, salvo suspirar por outro modelo de cidade. Nos últimos orçamentos participativos votei a favor de propostas do distrito sétimo (Feães, Palavea, o Birloque, Oça, Elvinha bairro, Elvinha paróquia, as Vinhas, Mato Grande, Jujám, a Passagem, ...). As zonas mais populosas levam normalmente mais votos por umha questom numérica elementar mas devemos luitar contra o mariapitismo, a inércia sempiterna pola qual a atençom mediática e o dinheiro em investimentos estruturais vai sempre para o centro e as zonas bien. Para mim o resultado genérico das votações testemunha um desejo transversal central: mais zonas verdes, mas resulta decepcionante a resposta que recebe.

Essa decepçom marca a minha imagem da evoluiçom da cidade sobretudo porque me parece que Corunha podia ser -sem esperar utopias- algo muito melhor. Esta é a minha cidade e considero deve ser mais que um cúmulo de cementocracia e de interesses especulativos.



À memória de Luis Trillo. O meu agarimoso recordo para el, quem fazia melhor a paróquia e a cidade.

40 filmes

Aí atrás falávamos dos filmes favoritos, nom só os que te impressionárom hai pouco senom de aqueles de que, especialmente, gostastes muito no seu momento. Porque a época em que se vê algo influi muito em como impacta (ou nom).

Eis os (uns) meus quarenta:

40 filmes

Estám co título no idioma em que vim cada película. De miúdos nom tínhamos escolha, agora em salas é praticamente o mesmo.
Contudo, gostei da dobragem espanhola que conhecim, a dos 60, 70 e até os 80. Daí em diante fum perdendo interesse ou gostando menos. Atualmente nem atendo mais do puramente inevitável.

A câmbio, a verdade é que celebro muitíssimo a cada ano que passa poder desfrutar crescentemente das versões originais, ainda mais estando legendadas em português, algo que é o habitual agora e que devemos a essa súper potência da língua galega ;) que é o Brasil.

O caso é que realmente nunca tería contado na minha vida com que no meio dos meus quarenta filmes preferidos houvesse um em galego, imaginas? um filme galego, ainda mais: corunhês.

E felizmente pode-se ver aqui, no À carta da TVG.

Isto é o que escrevim, emocionado, quando vim do cinema de ver Esquece Monelos.

Por suposto estas listas som só um pretexto para aplaudir e agradecer e sempre deixas fora títulos que adoras, maravilhas como esta...

40 filmes

e taaantas outras ao longo dos anos.

Contudo, até grosso modo se podem fazer algumhas contas básicas que pintam o panorama da influência dos pólos industriais-culturais na nossa experiência vital como espetadores/consumidores. Em procedência geográfica, por exemplo, além dessa única galega, a maioria, 26/40, som dos EUA (65%, e pouco me parece). Quantas fórom vistas em salas de cinema? Pois de 3 ou 4 nom estou certo, a memória já falha, mas diria que 14/40 (35%), e em ser só um terço agora, tem que influir por força o passo do tempo e a mudança de hábitos de consumo.

Idiomas falados?
    Todas fórom experimentadas primeiramente com áudio em espanhol salvo:
  • sete em inglês
  • três em francês
  • umha em
    • sueco
    • italiano
    • japonês
    • galego
Exemplos de vocabulário de construçom (ainda mais precisamente, instalaçom doméstica ou bricolagem) que usamos de cote em espanhol. Estou vendo como se chamam, ainda que variarám por zonas e usos:

des(a)tornillador (DRAE): chave de parafusos https://pt.wikipedia.org/wiki/Chave_de_parafusos



Em imagens de aparelhos elétricos coincide atornillador .es com parafusadeira .pt





enchufe .es é tomada .pt

Em .es tamém se usa toma (eléctrica)

alcayata (DRAE, na acepçom de escarpia .es)
DRAG di alcaiata
mas esta última tem outro significado no Priberam
Wordreference di: gancho .pt

tojino (acepçom em e.g. https://tienda.gruponoguerol.com/es/2536-tojinos-plastico nom está no DRAE mas sim se usa)
no DRAE é https://dle.rae.es/?w=taco (14)

Parece que no Brasil lhe chamam bucha, âncora de plástico, etc.






em espanhol (DRAE)em português (Priberam)
clavos *pregos
bisagrab/visagra, missagra, dobradiça
taladroberbequim, furadeira **




* só é cravo (como a flor) em https://dicionario.priberam.org/cravo (1) ferradura, (2) cruz de suplício e (9) encadernaçom de livros.

** e brocas é igual em português que em espanhol.

O estranho sistema de acentuaçom verbal da RAG

... fai que tenha que recorrer ao opentrad (obrigado) para repassar/confirmar que:

a [ pÚnhamos ].pt corresponde [ puñamos ].gal

(isto lembrava-o)

mas a [ pÚnhamo-los ].pt corresponde [ puñÁmolos (*) ].gal

Nós nom pronunciamos como (*) e fai-se raro o acento aí.

Analogamente, som:

baldeirabamos ; baldeirabÁmolas <- como dita a RAG

baldeirÁvamos ; baldeirÁvamo-las <- como pronunciamos nós

(NB: no léxico português internacional é comum esvaziar; DRAG e Estraviz recolhem a forma galega baleirar e adicionalmente a variante que usamos nós, baldeirar; o Priberam, nem com b nem com v)

Realmente é umha estratégia péssima combinar verbo e pronome átono sem os separar, como no português, mediante o traço.

Na escrita lusa encontramos consistência na acentuaçom gráfica (púnhamos, púnhamo-los) enquanto a da RAG varia por mor do número de sílabas que consideram da mesma palavra (puñamos; puñámolos).


Nom digo que seja umha obra-prima mas é umha série curiosa com algum momento fabuloso.

Achei complicada a suma de premisa e enfoque pola que optaram mas logram que funcione.

Vai umha temporada, fórom seis episódios. Adorei o primeiro, depois parece que perde algo de força mas o final cumpre (dous episódios, o segundo algo estricado argumentalmente).

Nom, Corunha nom é a cidade galega em que menos galego se fala

Em Ferrol ou Vigo, por exemplo, fala-se menos galego que na Corunha mas é esta a que leva a pior fama nesse sentido.

2014:


Nom, Corunha nom é a cidade galega em que menos galego se fala

Nom, Corunha nom é a cidade galega em que menos galego se fala

2019:


Nom, Corunha nom é a cidade galega em que menos galego se fala
Nom, Corunha nom é a cidade galega em que menos galego se fala


2022:


Nom sei se se deve estabelecer o 18 de maio, após as Letras, como a jornada oficial da corunhofobia, mas rapaz, que dia che levamos!

Desde hai tempo temos bem calhado esse perfil tam comum de galleguistas que odian La Coruña e os coitados e coitadas n'o dam superado.

Umha cousa é teres orgulho da tua localidade, rivalidades desportivas ou o que che pete mas acusar determinado lugar que aborreces de ser o único ou principal culpável do pecado original de que o galego esteja em minoria nos contornos urbanos... é estar simplesmente nas verças.

Linguisticamente é o país o que tem esse problema; Corunha que achante coa sua parte... e os demais coa sua. O contrário é morar em casas de cristal e arrebolar-lhe pedras aos demais.
(O mesmo outros clichés: que pensas, que nom hai nenos pera ou senhoritos noutros lados? Pouca gente de dinheiro conheces nas outras seis grandes cidades, já cho digo...)

Pois hoje passárom um par de cousas simpáticas. A primeira na cara: almorçares com boutades dum perfil anónimo que, como outros testemunhos tremendamente traumatizados, disque morou X anos na urbe brigantina e o levou fatal polo tratamento ao idioma. Um clássico de O'Internet!

Nom, Corunha nom é a cidade galega em que menos galego se fala

Para dizer o contrário do que pretende alegar... dá cinco exemplos do contrário! Irrisório.

Contudo vamos conceder que a experiência de cada quem é isso, persoal, entom nada que alegar. Eu poderia-vos falar das minhas em Compostela ou em Vigo mas vamos deixar lá porque -precisamente!- nom se trata disso.

O problema é quando começas a projetar as tuas fobias como se fossem verdades sociológicas cientificamente irrefutáveis. Porque além de serem mentira, estás promovendo, oh surprise, o ódio. Sim, assim de clarinho vo-lo hai que dizer, quando categorizais determinada localidade dum jeito monolítico nom só demostrais que, para serdes self-proclaimed nacionalistas nom entendeis um caralho, senom que sodes uns ignorantes e tendes tantos prejuízos como um maldito racista. É isso. Simples. Os mesminhos.

Entom à tarde descobres que um fulano com posto em entidade de simbólica relevância na mais vetusta e convencional cultura galaica™ tem a santa moral de replicar outro recadinho de idéntica natureza:

Nom, Corunha nom é a cidade galega em que menos galego se fala

De verdade que hai que ter bem poucas luzes -se é que algumha- para promover esta classe de mensagens como se fossem representativas da Corunha, eh. E inda mais lamentável que as referende alguém que disque tenha algo a ver coa cultura, e a cultura galega, nada menos...!

Tendes péssima sorte com que vos cruzais, ho, que quem levamos aqui meio século nom podemos contar tantas historias de terror, dessas que a mim me lembram incidentalmente outro clássico, "Fui a Cataluña y me hablaron en catalán".

Atitude fantástica promover esta ideologia, aliás, para remarmos todos juntos, nom sim?

Toootal, que para feliz casualidade resulta que justo hoje se volta a publicar isto...

Nom, Corunha nom é a cidade galega em que menos galego se fala

Oxalá enquisas próximas permitam dar nos focinhos aos pesados e pesadas para que nos deixem em paz. No entanto, podemos jogar cos dados que temos.

Que nom nos falte o humor para aturar tanto hate.

Fraudes via SMS

Na mesma sequência de mensagens curtas de texto (SMS) que recebes no teu telemóvel da tua entidade bancária pode de repente aparecer um novo SMS que seja fraudulento por suplantaçom de identidade (telefónica).

Nem entidades suplantadas nem operadores telefónicos informam de como os malfeitores logram isso.

Presta sempre atençom ao link que aparece.

Ponhamos por caso, se todas as mensagens anteriores do teu banco ligavam para um hipotético meubancobonito.com e a que che chega hoje leva para algo que se chama, por dizer algo, meu.banco.bonito.paginasuspeitosa.net entom nom sigas a ligaçom.

Quando a mensagem for de entrar em pânico (tipo Todos os teus cartões estám bloqueados! Calca urgentemente aqui) nem entres em pânico nem calques no link.

Se abristes a ligaçom fraudulenta, fecha a janela sem facilitar-lhes nengum dado;

se fostes e ademais lhes destes dados, contata à maior brevidade coa tua entidade bancária no seu número telefónico de emergências para tomarem as medidas certas, como bloquearem os cartões de crédito afetados.

Vamos ver exemplos (censurados) de smishing destes dias:

Fraudes via SMS

Fraudes via SMS

Neste contexto suspeitoso chegam outros SMS de âmbito nom bancário senom sanitário...

Fraudes via SMS

... que ligam para umha tal proxecto(...censurado...)sergas ponto typeform ponto com, o que apresentava umha capa deste aspecto:

Fraudes via SMS

O Sergas informou telefonicamente que nom estava a pedir dados de saúde e que se podiam reportar fraudes via https://contacte.sergas.gal/QUEREW/main.do

Ao igual que as iscas bancárias este convite relacionado coa saúde chega num SMS na mesma sequência de mensagens que nos constam como legítimas do Sergas. Daí que, caso de ser umha suplantaçom, colasse, porque nom esperas que no mesmo fio no que tens avisos de vacinaçom covid, por exemplo, che chegue um ardil.

Para mais inri o link chegou oculto num ow.ly e, umha vez aberto, nem levava para o domínio oficial sergas.gal senom para um typeform ponto com.

À denúncia dum possível engano, o 3/5/22 querespro@sergas.es respondeu via email: "Confirmamos que o Sergas está a facer enquisas ANÓNIMAS E ALEATORIAS a pacientes que confirmaron e superaron a enfermidade pasados mínimo 6 semas para xerar estadísticas de estado/secuelas/valoración" ao que se lhes contestou que deviam saber que telefonicamente se estava afirmando justo o contrário desde o Sergas e tamém que resultava preocupante que o formulário de destino fosse um typeform.com e nom umha recolhida de dados efetuada com garantia dentro dum domínio oficial como sergas.gal ou xunta.gal

Para supresa de ninguém, nunca mais houvo ulterior comunicaçom nem resposta.

A página lançada dentro de typeform quer estava configurada para só permitir um acesso -até mesmo sem preencher o questionário-, quer deixou diretamente de estar operativa em menos de 24 horas desde o intercâmbio de comunicações.


Falando das bibliotecas olha ti por onde me fum acordar, e justo sendo hoje o dia que é: que bonito ter feito um destes.
Com ilustrações de Brais Rodríguez Verde, delicatessen.

Quem me dera outro algum dia, que já choveu desde 2004.

E, claro, agradecido pola disponibilidade dos 22 exemplares.

Macetas com vistas

Macetas com vistas

Macetas com vistas

O Iván e o Antón ensinam-me que se trata da erva de namorar (Armenia maritima)

A propósito do projeto de ponte das Júbias da Corunha a Oleiros

-que persoalmente me parece aberrante- Antón explica como fam para que Estudos de Impacto Ambiental nom "amolem":
1. Argallan o proxecto construtivo que lles peta, procurando zafar do tedioso estudo ambiental ordinario (completo)
2. Se non zafan, amólalles, pero non pasa nada: toca facer o paripé de que se estudaron alternativas para minimizar o impacto ambiental
3. Fan a Alternativa 0: non facer nada, e rexeitanna con calquer burdo argumento, pois avalíanse eles a sí mesmos
4. Fan una Alternativa 4, absurda e custosa, para que pareza que lles preocupa mirar do medio ambiente e dos cartos da xente
5. E no medio, van as Alternativas 2 e 3, unha, a do proxecto xa escollido dende o principio, e outra, a mesma cunha mínima variación, para meter máis palla no EsIA e semellar seriedade e rigor
6. E voilá: “seleccionan” finalmente a alternativa de “menor impacto”… que ven sendo a que xa querían facer sen EsIA, pero os plastas ecoloxistas fixéronlles perder o tempo no seu timing na procura dos votos. FIN (si: baseado en feitos reais).
Bonus: Despois ven a “transparencia”: a “participación pública” e finalmente a Declaración de Impacto Ambiental, onde “aceptan” algunha suxerencias -parecer serios é esencial- sempre que non incordie ao proxecto concebido no minuto 1.


Pola súa parte Mobi-liza explica os motivos para oporse a essa obra absurda: impacto ambiental, impacto paisagístico, custe económico. A proposta que fam é a mais lógica e que alguns levamos anos pedindo: um passo peonil na ponte da Passagem a um nível inferior aos veículos. Tal como me lembram, algo similar -nom idéntico- ao que precisamente existe sob a autoestrada, kilómetros rio arriba da própria ria do Burgo, onde bicicletas e peões podem cruzar o rio pola ponte baixa de madeira.
Cada vez que penso que as edições em português estám vetadas nas bibliotecas galegas quando tinham que ser de uso cotiám... boto as mãos à cabeça. O potencial que temos aí -mesmo que um persoalmente use a ortografia espanhola- só pode renunciar a el um povo totalmente alienado.

Assumimos que seria demencial nom ter CDs de Caetano Veloso na sala multimídia por mor do idioma mas em ensaio, narrativa, BD...? Um idioma que até persoas nom formadas, crianças de primária, etc, podem compreender praticamente sem dificuldade nengumha.
Nom tem lógica. Devia haver mínimo de obras: de referência ou quando o autor é lusófono, p. ex. é absurdo nom ter Pessoa, Saramago, etc. em versom original nas bibliotecas galegas.
Perguntei donde podia vir Gatinheira como topónimo, se seria polo gatinheiro mas aparentemente nom é por este passaro (Certhia brachydactyla, vulgo tamém trepadeira comum) senom, dacordo co que me citam de Xosé Vidal Pérez em Catalogación toponímica do concello de Laxe, monte onde abunda o toxo gateño (Ulex nanus), do que me dim por outra parte: mato gateño é toxo baixiño espeso e de tronco e espiña delgados.